quinta-feira, outubro 25, 2007

A máquina penal

"Está bem então: eliminem o povo, reprimam-no, reduzam-no ao silêncio. Porque o iluminismo europeu é mais importante do que o povo." F. Dostoievski

O juiz competente sorve o café com os olhos fixos nos autos do processo. Célere e competente não se põe a divagar: crime é o tipificado, o positivado. Castigo também. A máquina punitiva exige profissionais hábeis: lubrifique a roldana, aperte o parafuso, verifique as engrenagens. As vítimas, enfileiradas, encurvadas, algemadas, são postas em movimento pela esteira da civilização, depois esmagadas por frios metais.

A carnificina produzirá paz social, prometem os palradores mergulhados em fofos coxins. Leviatã lambe os beiços, o néctar rubro escorrendo-lhe pelo enrugado pescoço.

"A carne mais barata do mercado é a carne negra, negra, negra...
que vai de graça pro presídio
e pára debaixo de plástico
que vai de graça pro subemprego
e pros hospitais psiquiátricos
que fez e faz história pra caralho
segurando a porra deste país no braço, meu irmão..."

Profeta Seu Jorge

* * * *

Um comentário:

Rubinho Osório disse...

Tendes razão.
Os três!