sexta-feira, novembro 02, 2007

Minha única chance

A cruz é minha única chance: só ela pode salvar-me de mim mesmo, só ela pode reverter minha fascinação por pronomes possesivos.

Tomar a cruz e esfarelar-me, tomá-la e esfacelar minhas ilusões infantis: fazer sangrar até morrer a dialética do agradável e desagradável que põe meu ser em movimento desnorteado.

Só a cruz pode dar-me um rumo: o Calvário, o lugar onde o Mestre finalmente me libertará da cruz. Então será apenas roda de samba, então verei, com lágrimas nos olhos, que minha lógica não é a lógica do Mestre: Ele foi, ele saiu em busca daqueles que não chegaram ao Calvário, daqueles que desistiram da cruz. Aliás, é bem mais provável que eu seja um desses últimos, um desses desgarrados na via crucis. Então será apenas uma enorme, uma desatinada roda de samba.

* * * *


6 comentários:

Anderson disse...

A semente, bem como a cruz, assim já nos explicou: morrer é a única chance para viver.

Lou Mello disse...

Suspeito que o Mestre estava querendo nos convencer que, esse serviço, só Ele poderia fazer por nós.

Volney Faustini disse...

A cruz é o caminho da morte, mas impossível de faze-lo sozinho. Entregamo-nos à morte, sem no entanto que isso seja suicídio - creio algo mais profundo.

É o rumo (alvo), mas o princípio também (será que algo como o Alfa e o Omega?)

Janete Cardoso disse...

Nossa única chance e depende da nossa escolha, deixar-nos esfarelar ou não.

Mamanunes disse...

Só por Ele mesmo Alysson. E não há outro caminho.
"Tem que morrer prá germinar..."
Um abração

alealb disse...

lindo post!
beijos,
alê