terça-feira, março 11, 2008

Decifrado

A literatura decifra-me em gotas. Em gotas. Luz já mortiça de uma lanterna longínqüa: é Faulkner farejando com raios tíbios, boreais, detalhes insólitos da minha incongruente arquitetura.

Ingresso no coro de Kafka: "tudo que não é literatura me aborrece profundamente".

* * * *

4 comentários:

Alice disse...

... o que mais me aborrece na literatura é que nunca tenho dinheit=ro suficiente para sustentá-la... esse é uma "dama" muito cara.
adoro ler-te.
bjus

Maya disse...

Oi, Alysson... Não penso como o sombrio e angustiado Kafka... 'Qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa', baby.

Um abraço,

Maya

Felipe Fanuel disse...

Eu não vivo sem literatura. A minha vida é literatura. Somos literatura. O mundo é literatura. O que mais não é literatura (mesmo que daquelas de mal gosto)?

Maya disse...

LIBERDADE

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa





A literatura é dispensável. Ou não?