quarta-feira, março 26, 2008

As adagas do Mistério

As lágrimas que irrigam minha face são de origem obscura, talvez alguma quadra sombria da infância, talvez alguma ameaça proferida por meus antagonistas quiméricos. Acordo embebido na substância líquida dos meus sonhos atormentados. Uma lâmina fria e imaterial está posta na minha garganta: meu tormento é menos ser fulminado por ela que desconhecer sua procedência.

O problema do homem é sua ensandecida insistência em duelar com o Mistério, o monstro cuja pele soturna é inviolável e cujas adagas aguçadas dilaceram os inquietos.

Diante do Mistério, ensinam os sábios que silêncio e quietude são as únicas alternativas prudentes.

* * * *

14 comentários:

Lou Mello disse...

Talvez seja possível abrir um pouco mais o leque de opções se imaginarmos ser correta a crença que dá conta da diversidade entre as pessoas. Em outras palavras o silêncio e a quietude seriam ideais a certas pessoas, nesse instante, enquanto cair na farra a melhor opção para outras, ou algo assim e salvo engano.

SHOKO2MR ROBSON disse...

Mistério....amigo ou inimigo ...só saberei quando não for mais um mistério !!!

Roger disse...

Bem Lou, eu sou totalmente o primeiro tipo mesmo, o descrito pelo amigo Alysson, dependendo das contigências...

Felipe Fanuel disse...

Alysson,

Você nos emociona.

Falar de mistério desse jeito é assinar o livro dos eternos ignorantes a respeito do transcendente. (Os nomes acima do seu são de gente que nos inspira a sonhar com uma aurora amanhã, apesar das trevas da noite.)

Fecho minha boca aqui, em reverência a tal inefável.

...

Edemir Antunes Filho disse...

Alysson,

tudo isso me faz lembrar do filósofo Ludwig Wittgenstein que escreveu em seu Tractatus Logico-Philosophicus: “Sobre aquilo que não se pode falar, deve-se calar".

Por isso, quase silenciosamente lhe digo: unamo-nos em silêncio diante do Mistério.

Graça, paz e bem!

Tamara disse...

Silêncio e quietude são as formas para encontrar-se com o Absoluto.

Ele recebe o nome de Mistério enquanto houver algazarra (utilizando o português popular).

B-joletas, Amorim

barb michelen disse...
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Alice disse...

..hhhmmmmm... e como é difícil duelar em silencio...nessas horas minha alma teima em gritar.
abraços
Alice

Volney Faustini disse...

Concordo com a Alice. Pra quem já caminhou um tanto, respeitando é claro o momento de cada um, o Mistério nos assusta, nos ameaça, nos ameaça com um truculência amorosa que não há como deixar de berrar. Grito de susto, grito de desespero, grito de socorro!

Depois do choro vem o consolo!

Bruna disse...

Alysson,

Eu prefiro as palavras ao silêncio. Silêncio soa como descaso e falta do que dizer, ao meus olhos. As palavras se fazem presentes, mesmo que ditas de forma errônea. Elas por elas, ali estão. Nos resta repudiar ou aceitar. Muitas vezes, palavras são nosso único conforto.

Sim... querer falar de silêncio com uma tagarela... vou sempre defender a palavra... falada ou escrita.... rsrs

Júlio Diniz disse...

" A razão é uma imperfeição da alma humana". Talvez por isso a Filosofia se recusa a falar de certas grandezas!

Abraço, meu caro!

alealb disse...

gostei.
e muito...
beijos,
alê

Eduardo Soares disse...

Muito bom.

Me lembrou uma passagem de uma música dos Engenheiros do Hawaii:

"Você sabe o que eu quero dizer,
Não tá escrito nos outdoors.
Por mais que a gente grite,
O silêncio é sempre maior."

[]´s

Bárbara disse...

Eu desisti de duelar com o Mistério quando percebi que algumas coisas devem mesmo é continuar intocadas e adormecidas no inconsciente. Consequentemente, quando me rendi e desisti de fugir do Mistério (que, em meus pesadelos, corria literalmente atrás de mim) ele, por sua vez, parou de me perseguir e me deixou descansar em paz... Beijos