sexta-feira, fevereiro 15, 2008

A morte da Metáfora

A decomposição da espiritualidade ocidental em um moralismo incolor pode ser atribuída parcialmente a um esforço meticuloso e contínuo da cristandade no sentido de silenciar a metáfora. É a marcha da Igreja cristã evoluindo sobre os escombros ocidentais da espiritualidade.

Quando a cristandade transforma a metáfora em fato histórico – e o faz com assustadora freqüência, inflige um câncer mortal a espiritualidade. A metáfora, qual um submarino, é o veículo que nos conduz às profundezas abissais do Ser, ao Reino de Deus (Lc. 17:21), onde ziguezagueiam peixes brilhantes e habitam terríveis dragões marinhos.

Quando interpretada como fato histórico a metáfora não pode mais falar do Tempo Primordial, pois perdeu sua linguagem divina, não pode mais nos transportar até ele, pois encontra-se aprisionada nos cárceres da história.

Destruída a metáfora resta-nos suportar a trágica âncora que nos faz cativo em um porto triste e medíocre, ironicamente aberto ao profundo e infindo e inexplorado oceano. Resta-nos uma imagem desbotada de Deus, mas jamais o peito vivo e apaziguado do Mestre, onde podemos recostar nossa cabeça em ebulição (Jo 21:20).

* * * *

13 comentários:

Thiago disse...

Valeu pelo elogio Alysson!
Eu tenho postado algumas tde minhas reflexões fora do país, as vezes isso é um tanto adolescente (mas é parte do meu trabalho informar como andam as coisas por aqui). Acabo usando o blogger para fazer isso por isso coloquei um marcador em inglês para os estrangeiros verem os textos em inglês.

Mas continue acampanhando, os textos ultimamente tem sido muito bons.

Seu blogger tb é muito bom, acompanho-o nessa crítica a falta de imaginacão e vou postar como link

Fica na Graca

Thiago

Júlio Diniz disse...

Olá, Alysson

Lançando mão de uma metáfora, sinto, diante desse ocidentalismo exacerbado, estar dentro de um museu de arqueologia a contemplar atrás de uma vitrine inexpugnável, um frio fóssil do caule de uma árvore,ou seja, nada além do conhecimento do vestígio de um fato que não mais produz oxigênio.

Obrigado pelo feedback de meu texto.
Abração, meu nobre.

Júlio Diniz disse...

Bela fotografia com ilustração e feliz escolha!

Roger disse...

A fotografia é mesmo fenomenal!

O problema está no medo do profundo e infindo e inexplorado oceano. O pior é que o peso irrisório de uma âncora pode prender uma nau inteira, muitas vezes durante uma vida inteira.

Lou Mello disse...

Não sei quanto as pessoas se envolvem. Parece que elas preferem as metáforas. O fato histórico costuma afastar e a maioria busca adeptos, consumidores ou gente que segue sem fazer perguntas, mas não está a fim de encarar, por exemplo, o Jesus histórico que perdoava até uma assassino no limiar da cruz.

Alice disse...

Muito bom... muuuuuuito Bommmmmm !] beijos pra vc.

Felipe Fanuel disse...

Deixe-me assinar embaixo disso aqui. Mas não posso faltar no cuidado. Logo, logo, devem aparecer os assassinos de metáforas por essas modernas vias inquisitoriais, como leões rugindo. Não nos esqueçamos que o homem mais metafórico do mundo acabou com os pés e as mãos cravados em dois pedaços de madeira. É por isso que acredito piamente em ressurreição, porque a metáfora não pode morrer. Ela precisa se manter viva, feito uma chama que nunca se apaga. Oh, só que o Guinzburg não me deixa separar fato histórico de ficção, meu chegado. Para mim, aquilo que chamam de fato histórico não passa de uma outra maneira de contar — leia-se interpretar — a mesma história. Afinal, se alguém aqui já viu algum fato histórico, queira mostrar-nos.

Saudações de minha árvore, Amigo.

P.s.: Meus aplausos para o seu notável faro artístico para lidar com imagens expressionistas.

Bárbara disse...

Gostei do texto + fotografia + Jamie Cullum - All at Sea!

: )

Luciano Martini disse...

A morte da metáfora violenta a poesia e encerra mundos do imaginário. E onde procurar Deus, senão no vazio do vôo a ser preenchido.

abstrato de tomate disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
abstrato de tomate disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
abstrato de tomate disse...

"o combate é o princípio de tudo"

"que não se enganem: eu vim trazer a espada"

a primeira metáfora é de heráclito e a segunda está no envangelho de Marcos ou Matheus, não me recordo, o fato é que são conotações belíssimas, muito sutis e preciosas, que vários apressados já usaram para justificar a guerra como algo sensato e santo até.

abcs.

日月神教-任我行 disse...

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