sábado, setembro 15, 2007

Festa cósmica

“Os céus contam a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra de suas mãos (...)

As taças fartas do vinho soberbo: aquele parido pelos pés judiciosos de seres alados. Entre risos e danças deslizam o Céu e a Terra. Festa cósmica.

Taças já vazias; a alegria se vê impressa nos dentes. Chegará o melhor do festejo. Agora o prelúdio do silêncio; os serafins, zelosos, guardam seus instrumentos insólitos.

Deus é tudo. Uma pulga, inclusive. A lasca coberta de lodo do tronco robusto. É tudo e mais um tanto. Deus é o desconhecido. Aquele que boceja para além das estrelas. É a raiz que suga o nitrato e a luz que o produz. Assim narrava o Céu, com seus dentes incontáveis.

Deus é o útero do mundo. Mãe fértil. O solo onde as melancias sobejam, vermelhas de desejo. A semente que deflagra o caos, depois a ordem. Era a proclamação buliçosa da Terra.

“Não há termos, não há palavras, nenhuma voz que deles se ouça, e por toda terra sua linha aparece e até os confins do mundo a sua linguagem.” (Salmo 19:1-4, A Bíblia de Jerusalém)

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